imagem e título roubados a www.poeticalente.blogspot.comquarta-feira, dezembro 19, 2007
UM QUASE SÚBITO MERGULHO
Um quase súbito mergulho na já familiar taça de fel. Nada resolve esse abismo, nem esbracejar, nem flutuar, é como um fuzilamento entrando sem pedir licença por todas as veias, sem quase haver um neurónio que escape.
Ai, caiu-me o céu em cima sem que as estrelas viessem junto, elas ficaram suspensas algures num inefável infinito e em mim ficou apenas o negro-negro, a absoluta treva.
Não é que as flores murchassem: apenas deixaram de existir.
Ligo o telemóvel. Que pena não estarem lá palavras deixadas por todas essas pessoas com quem não quero falar. Desligo de novo, para recolher ao útero que me é fornecido pelo me manter incontactável.
Jaime Vehuel
Dez2007
Ai, caiu-me o céu em cima sem que as estrelas viessem junto, elas ficaram suspensas algures num inefável infinito e em mim ficou apenas o negro-negro, a absoluta treva.
Não é que as flores murchassem: apenas deixaram de existir.
Ligo o telemóvel. Que pena não estarem lá palavras deixadas por todas essas pessoas com quem não quero falar. Desligo de novo, para recolher ao útero que me é fornecido pelo me manter incontactável.
Jaime Vehuel
Dez2007
domingo, novembro 18, 2007
TENS AMORAS NOS SEIOS
tens
amoras nos seios
ou antes azeitonas
pois que aperitivam
o vinho doce em que
na descida
te hás-de fontear
em ti a broa fresca de
um sustento
que sustento ser
de inegualável alimento
nuvens azuis e densas e suaves
movidas quando ventas
Jaime Vehuel
amoras nos seios
ou antes azeitonas
pois que aperitivam
o vinho doce em que
na descida
te hás-de fontear
em ti a broa fresca de
um sustento
que sustento ser
de inegualável alimento
nuvens azuis e densas e suaves
movidas quando ventas
Jaime Vehuel
terça-feira, novembro 13, 2007
HAVERIA UMA BICICLETA
haveria uma bicicleta toda em prata
e nela montada a esperança de
um só dia
todo o tempo condensado num
momento puro de encanto
retirado até o próprio luto da agonia
jaime vehuel
e nela montada a esperança de
um só dia
todo o tempo condensado num
momento puro de encanto
retirado até o próprio luto da agonia
jaime vehuel
ESPALHAREI TULIPAS
espalharei tulipas no asfalto
para que os viajantes maquinados
já se espantem
e lancem na cidade o grito mudo
de mil gaivotas regressando
jaime vehuel
para que os viajantes maquinados
já se espantem
e lancem na cidade o grito mudo
de mil gaivotas regressando
jaime vehuel
ATROPELADO PELO VENTO
atropelado pelo vento
teu cabelo ondula e estica
dá-me dele um caracol arejado
para que minh' alma nele se afague
e parta longe sem sair de seu caminho
jaime vehuel
teu cabelo ondula e estica
dá-me dele um caracol arejado
para que minh' alma nele se afague
e parta longe sem sair de seu caminho
jaime vehuel
O EREMITA SURTIU
o eremita surtiu de sua toca
e de cajado à mão pisou de novo os rios
seus pés não afundaram todavia
pois que os peixes mil seu passar atapetaram
de acordo com os laços que no segredo da gruta
no silêncio e no orar lá se bordaram
era de noite porém mas o pé franco
trazia noutra mão estrelas de vinho
também com tanto os peixes se animaram
fugindo de deixar o homem sozinho
jaime vehuel
e de cajado à mão pisou de novo os rios
seus pés não afundaram todavia
pois que os peixes mil seu passar atapetaram
de acordo com os laços que no segredo da gruta
no silêncio e no orar lá se bordaram
era de noite porém mas o pé franco
trazia noutra mão estrelas de vinho
também com tanto os peixes se animaram
fugindo de deixar o homem sozinho
jaime vehuel
JÁ SE ME OCORREM
já se me ocorrem
nascentes sóis
cadentes luas
e nesse tanto extasiante
corridas de algas
me assaltando o ventre
jaime vehuel
nascentes sóis
cadentes luas
e nesse tanto extasiante
corridas de algas
me assaltando o ventre
jaime vehuel
SORVENDO LENTAMENTE
sorvendo lentamente
teu olhar de planta
brumei sorriso meu
de mágoas lavadas
jaime vehuel
teu olhar de planta
brumei sorriso meu
de mágoas lavadas
jaime vehuel
domingo, setembro 02, 2007
SER COISA EVIDENTE
Ser uma coisa evidente é ficar reduzido a quase nada.
Teixeira de Pascoaes (1877-1952)
Aforismos
Teixeira de Pascoaes (1877-1952)
Aforismos
sábado, setembro 01, 2007
SEDE DE MUSGO

Uma mais vez salvei a sede de musgo que minha alma acalenta e o coração outrora esquece.
Assim se me acendeu Inverno adentro a chama verde de um lamento expurgado de saudade, melancólico apenas.
Quando eu for grande serão de linho os fetos que meu corpo regam, suas frágeis folhas distribuindo ventos.
Assim se me acendeu Inverno adentro a chama verde de um lamento expurgado de saudade, melancólico apenas.
Quando eu for grande serão de linho os fetos que meu corpo regam, suas frágeis folhas distribuindo ventos.
Jaime Vehuel
01.09.07
Imagem: Campo de trigo com corvos, Van Gogh
quarta-feira, agosto 29, 2007
AMO UMA FOLHA VERDE
Amo uma folha verde, uma borboleta azul, um cabelo negro.
Como se ali fosse a pousada de um destino ingrato redimido.
Sorvo do vento que passa o aroma de uma esperança desabrida, como se de repente o musgo se enchesse de um orvalho absoluto.
E sigo fruindo, até ao fim dos horizontes todos que no tempo do hoje desfalecem.
Como se ali fosse a pousada de um destino ingrato redimido.
Sorvo do vento que passa o aroma de uma esperança desabrida, como se de repente o musgo se enchesse de um orvalho absoluto.
E sigo fruindo, até ao fim dos horizontes todos que no tempo do hoje desfalecem.
terça-feira, agosto 07, 2007
PÉTALAS
quinta-feira, junho 21, 2007
O MEDO
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
CANTARAM ATÉ OS LUARES DE JUNHO

cantaram até os luares de Junho
na alvorada de teu corpo amado
teus seios se abriram a meus lábios
em sua doce maternidade menininha
colhi então de teus cabelos
os nenúfares sem fim do hálito das pérolas
com eles em meu peito cheguei nas taprobanas
de minha mente escondida
de lá se soltaram algas, cabelos de novo
agora nossos
elas correram por nós dois adentro
e tu não foste mais minha que eu teu
fomos tão só e tanto o infinito
ali parado por um breve pouco
ai que Deus é também isto
só pode
aqui vida e morte são uma só terceira coisa
nós dois em sinfonia e basta
jaime vehuel
05fev07,lx
terça-feira, janeiro 23, 2007
VI A LUA AO REDOR

Vi a Lua ao redor de mim nas quatro fases todas, circulando.
Ela trazia variações, essas traiçoeiras fontes de vitalidade e púrpura.
Pousada na dita me dizias coisas que o coração atende e a mente se ocupa em negar, e que a intuição manda que a elas o jogo se entregue e ceda sem nada ceder – ou seja, ame.
Há de mim um olhar translúcido apesar do escuro, uma visão de névoa luminosa como a de Avalon das feiticeiras brancas. Oh, como eu gostaria que assim já fosse.
jaime vehuel
segunda-feira, dezembro 18, 2006
LIBERDADE

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D.Sebastião,
Quer ele venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto
É Jesus Cristo
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa
domingo, dezembro 03, 2006
VIDRADOS EM NINFA
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