domingo, setembro 27, 2009

OS "ABENSONHADOS" NÃO PRECISAM DE FARO?

http://1.bp.blogspot.com/_oFhT1ead4iw/SgfyIFHHqzI/AAAAAAAAI3A/LRaCrFFTB1s/s1600-h/Lima_de_Freitas.jpg



Preparemos com atrevido encantamento o mosto para o crisma final do Menino Messias, qu'ele tá de novo rondando por aí, já bem acercado do campo gravitacional humano, conforme o prometido durante o Último Repasto.

É o regresso do profeta mais universal, antes um capricórnio nascido na era de peixes, agora sem pulmão nem mesmo qualquer guelra mais subtil, que os Iluminados ressurreitos dispensam trocas gasosas. Para quê trocas gasosas se esses imigrantes de dimensões acima não têm sequer sangue, perante golpes, mesmo os mais cruéis e ignorantes, uma translúcida e poderosa linfa solitária se apresenta?

É. Um colibri que volta e meia poisa no beiral do meu quarto me contou que os anjos e santos - e Jesus atão kom mais pleno sentido - não respiram: entre esses seres da 4ª à 6ª dimensão reinam apenas alguns neutrões, menos quantia ainda de protões e avalanches de partículas quânticas, uma raça de componentes sempre podendo evita convívios com matérias densas, restrinfectantes da sua sagrada liberdade de movimentos e de pausas.

Segundo o senhor Wim Wenders (in "As asas do desejo") esses humanos alados tb vivem alegres sem olfacto. Não quer dizer que eles não padeçam de alguma saudade do cheiro a feno das púbis após uma tarde de agosto passeando pelos loiros caules promissores do pão que, de novo mais um ano, iriam quando humanos ter, com cheiro intenso a forno, no quase sempre eucarístico centro da mesa.

Só que, como não prescindir desses arrebatamentos em favor de se virem por via directamente vibratória e ultra fraternal, uma dança hertziana entre corpos subtis, menos explosiva mas todavia que o orgasmo mais submarina ainda, e quasi permanente.

Melhor que ninguém outro ou outra sabes tu se e com que peso teus erros correm o risco, ou não, de te ser merecido e assaz necessária a contrição, quiçá seja benfazeja até alguma porção mais de purgatense caminho.

Quando eu e tu leitor/leitora nos encontrarmos olhar a olhar, sem estes écrans disfarçados de espelhos, já de regresso ao paraíso perdido, estaremos por certo a viver alegremente sem esse quinto e dispensável orgão dos prazeres sentidos.

É, o coração faz-nos mais sensíveis que outros seres criados. E a ialma (pronúncia da minha terra) passa dentro do corpo todo enormes preguiças obstinadas de fé ceganaci. A progressiva e raramente interrompida intoxicação e manipulação das consciências não gera meramente agnósticos: com frequência constroi pacientemente aberrantes amostras de insaciável cinismo.




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sábado, março 21, 2009

TEXTO DE GLÁUREA, BRASIL

http://www.youtube.com/watch?v=eTG5isJYURc

Gosto de gente com a cabeça no lugar,de conteúdo interno, idealismo nos olhos e dois pés no chão da realidade.

Gosto de gente que ri,chora,se emociona com uma simples carta,um telefonema, uma canção suave,um bom filme,um bom livro,um gesto de carinho, um abraço, um afago.

Gente que ama e curte saudades, gosta de amigos, cultiva flores, ama os animais. Admira paisagens, poeira; e escuta.

Gente que tem tempo para sorrir bondade, semear perdão, repartir ternuras, compartilhar vivências e dar espaço para as emoções dentro de si, emoções que fluem naturalmente de dentro de seu ser!

Gente que gosta de fazer as coisas que gosta, sem fugir de compromissos difíceis e inadiáveis, por mais desgastantes que sejam.

Gente que colhe, orienta, se entende, aconselha, busca a verdade e quer sempre aprender, mesmo que seja de uma criança, de um pobre, de um analfabeto.

Gente de coração desarmado, sem ódio e preconceitos baratos. Com muito Amor dentro de si.

Gente que erra e reconhece, cai e se levanta, apanha e assimila os golpes, tirando lições

dos erros e fazendo redentoras suas lágrimas e sofrimentos.

Gosto muito de gente assim...e desconfio que é deste tipo de gente que DEUS também gosta!

Gláurea


idade: 42
aniversário: 29 março
local:
Onde Judas Perdeu as Botas, Fim do Mundo Butão

quinta-feira, março 05, 2009

CORAÇÕES DE PÉ

"corações ao alto": "as árvores morrem de pé". "É de noite que os tristes se procuram. Unamo-nos irmãos, é hora"

...: Palmira Bastos. Antero de Quental (in "A Noite" de José Mário Branco)

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Nestes dias de obras no terreiro ribeirinho de Lisboa, as algas andam um pouco acossadas com o ruído das brocas. Mas mais se intriga quem vê o aparato policial em torno do ministério da administração interna e do ministro Rui Pereira (ao que tudo indica um bem arguto homem-bom do Reino).
Mas porquê tanto acossamento e tanta intriga? Já toda a gente sabe que as algas são cobrinhas doces sem cabeça. E que o MAI está à perna com o actual predomínio da secreta militar no desenrolar do processo Freeport.

Jaime Vehuel

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

O APOCALIPSE JÁ ACABOU E FOI CONDENSADO NA AUSTRÁLIA

Na sua infinita e tão assiduamente incompreendida justiça, Deus, que é Pai, tomou o povo duplamente mártir de Timor-Leste como protótipo da Humanidade e vingou a dupla Xanana / Ramos Horta. E, como Pai que é, para ensinar os australianos abusadores no petróleo teve que ser assaz severo. Pena claro os efeitos colaterais sobre milhares de inocentes. É assim a vida.
Cumpre a todos e a cada um, ao menos na sua vida pessoal, retirar as ilacções e tentar evitar mais fúrias divinas, por exemplo a chegada prevista para breve de Bin Laden a Jerusalém, ogivado.
Tenho dito.

Jaime Vehuel

domingo, fevereiro 08, 2009

VIRGÍNIA

minha
mãe virgínia
magia branca
filha de Ísis
a sempre virgem

Jaime Vehuel

quarta-feira, junho 18, 2008

DE CONVENTO E PRADOS


Vê bem.

Subi ao céu, quase até ao fundo, o simétrico do cu de judas.

Às tantas abrandei a marcha, nestes tempos já menos por temor, talvez por pudor da morte ainda, apenas.

Os florescentes camponeses de meia idade que houvera deixado em terra como que me chamavam com seus prudentes silêncios convidativos; diziam, ainda não companheiro. Mas ñ foi tanto a eles que escutei, mais a minha alma funda, foi como que um sentido de Estado individual e bem interno.

Regressei então e o despertar do sonho me apanhou a meio, antes de aterrar ainda. Todavia via já um prado imenso, bem diferente do convento de beneditinos que ao subir deixara.

Lembrei umas frases que há anos escrevi para um anúncio da campanha publicitária"Leite é Juventude". (Em radical pretendendo incutir algo assim: Europeus, bebam
muito leite que nós temos excedente grande e não queremos nada baixar o preço ou dar aos mais pobres.) As frases eram mais ou menos assim:

Há muitos muitos anos as vacas deixaram de poder voar. É por tal que agora elas olham com seu olhar melancólico para os prados verdes e sonham com aeroportos.Leite é Juventude.


Jaime Vehuel

Junho 2008



sexta-feira, maio 09, 2008

COLHO EM TEU OLHAR

colho em teu olhar
amargas amoras silvestres
quando me olhas com olhos de vingança

mas são todavia amoras
nota
e silvestres
que isto sempre és

Jaime Vehuel
Dez 2007

ENROLA-SE A PAIXÃO NUMA PARRA

Enrola-se a paixão numa parra, deixa-se ao sol e à chuva dos solstícios, tempera-se com temperança e com presença. Um amor imbatível se faz.

Jaime Vehuel
Dez 2007

quinta-feira, maio 08, 2008

ERA UM GALHO

Era um galho de cimento frente a uma janela oval de madeira e aço.
Infantas espreitavam penduradas no galho para os adentros da janela e viam as suas Alices todas à lareira.

Jaime Vehuel
Dez 2007

quarta-feira, maio 07, 2008

A CADA VEZ MENOS GENTE DOU OUVIDOS

a cada vez
menos gente dou
ouvidos

prefiro
emprenhar pela pele

depois estagno tanto que
até bolor se cria
e com ele próprio minha alma
impregno
de novo de imprevisto

jaime vehuel

AGORA QUE A TORMENTA SE ESVAIU

Agora
que a tormenta se esvaiu
sei então com doçura
esperar

esperar sugar
algo do tutano de tua alma
funda

alma em mim
tenor soprano e
filho de jasmim com
açucena


jaime vehuel

terça-feira, maio 06, 2008

sexta-feira, março 21, 2008

GRÁVIDA TODA, LUA TANTA


Grávida toda, lua tanta lançando morno nesta noite fria. Os lobos chiam em ti os sofrimentos que as paixões humanas encubam. As silvas amolecem diante de uma luz tão branda. Minha alma, uma vez mais com o mesmo, este mês se espanta.

Jaime Vehuel

DESNASÇO COM DESPUDOR

Desnasço com despudor, errante de nenhures. Respiro então o canto de uma cotovia, é noite, o bréu me protege de qualquer apego, solto as amarras da alma e só por ela aporto a parte alguma sem sofrer.

Jaime Vehuel

quarta-feira, março 19, 2008

SUBMISSAS AO VENDAVAL ROLAM BOLOTAS


Submissas ao vendaval, rolam bolotas invisíveis pelos campos ermos de uma explícita angústia. Pela manhã vou colhê-las, uma a uma, pois são elas o maná insuspeito de mais um apocalipse de bolso.


Jaime Vehuel
imagem: Paul Klee, Magic Garden

segunda-feira, março 17, 2008

AI, O FULGOR DAS BORBOLETAS

Ai, o fulgor das borboletas quem me dera. Fico no entrecampos de um bosque de esferas malvas. E ai que bom quando não escorrego nas lamas que meu império tece e, afogado, me ausento, inebriado de lamento, um estagnado desporvir.

jaime vehuel

TÉPIDO É O SUAVE RESFOLEGAR

Tépido é o suave resfolegar das sereias transparentes que povoam as planícies.

jaime vehuel

QUÃO GENEROSAS SÃO AS MADRUGADAS


Quão generosas são as madrugadas, e tão breves. Irrompo da noite a passo lento e acalento mordomias ao hóspede de mim que fui por entre luas. Venero o sol chegante e, quase ofegante, limpo daquele caminho as minhas cinzas.

jaime vehuel

E DE SÚBITO O CÉU CHOVEU

E de súbito o céu choveu sobre meus ombros lisonjas em gomos. Eu, embora sequioso de mim mesmo, tive pudor em lhes dar interior, mas acabei jovial lhes sucumbindo.

jaime vehuel

CALCURRIO RENDIDO A PELE INTEIRA

Calcurrio rendido a pele inteira que me ofereces, ao mesmo tempo com sede e saciado. A juzante encontro orvalho e musgo, entre eles recebes meu beijo outro, coisa de entranhas, de labareda e de riacho.

jaime vehuel

URGE TRAZER PARA AS AURORAS

Urge trazer para as auroras lívidas dos nauseados peitos o frémito das searas em brisa. Esse loiro remanso dos poentes tem por si crinas baptistas, assim me contaram as insónias.

jaime vehuel

quinta-feira, março 06, 2008

DEI POR TI ESCONDIDA


Dei por ti escondida por trás do tempo, como grão de areia destinado a ser rocha macia. Estendi-te o pé e tu bafejaste nele as doçuras que aprenderas com os anjos. Fiquei ali, deleitado naquele morno do teu bafo que assim ficou tão querido.


jaime vehuel

terça-feira, março 04, 2008

ARRASTO A VERDADE

Arrasto a verdade como um limo escorrendo pelo asfalto em manhã de gaivotas. Cheiro nela a presença de incontáveis insónias, cansaços que fazem das afirmações convictas apenas tangíveis serenatas de névoa. Toco ao de leve a fímbria do tempo e nela me enrosco, perdido de amores pelo infinito.

Jaime Vehuel

domingo, dezembro 23, 2007

AR MEU AR

ar
meu ar de nós
suor da alma perdida
entre pós

ofegante gemo
do pavor da ausência de mim em mim
roído

respiro então mais nos
ombros
e digo venha
ao eu
o nó do nosso

é então que sei que
posso
ascender do poço
abrir as comportas
e escorrer sem correr
escorrer escorrendo

Jaime Vehuel

sexta-feira, dezembro 21, 2007

SER POETA É SER MAIS ALTO

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!


É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!


É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!


E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!


Florbela Espanca

MEUS AVÓS PATERNOS


quinta-feira, dezembro 20, 2007

ME ARREBATAS E ENEBRIAS

me arrebatas e enebrias de desejo de estreitar em mim tua pele tão pura
e, é verdade, também me inspiras
nas minhas paredes aparece o teu rosto sem esperar convite
a minhas portas bate um fantasma que guarda as portas de ti própria, reclamando o exclusivo
quero estar tão contigo dentro que a luz a façamos nós, o sol ocultado pelo tempo de um prolongado espasmo
quero abraçar-te tanto que te não sobrem forças para resistires às vagas que assaltam nosso sangue suavemente
toca-me com ti toda, faz-nos desaparecer em nossas peles, invade-me com a tua língua, arrasta-me para o mar do teu odor
nasce-me de vez em quando em cada dia


jaime vehuel

QUERO-TE DIZER QUE COMO


quero te dizer que como
em ti a erva mágica que faz dos cavalos
alados e anjos

alimentas de novo minha alma moribunda e
meu corpo geme pelos enlaces que teremos

seremos um mel novo
jorrando
para quem esteja ao redor
porque nosso amor será cada dia um pouco
maior ainda

quero te ver ao sol de janeiro a fazeres me louco
da saudade dos momentos contigo

ainda não vividos
porque sinto em ti a catarata de um Iguaçu perene

sinto tua pele na distância
como se fosse puro linho em mim
bebo já teu leite em tua concha que
me acolhe
e aí renasço homem mais inteiro
sem sobra de fraqueza nem trejeito


Jaime Vehuel

O MEDO

(... )
Ah o medo vai ter tudo
tudo
(penso no que o medo vai ter e
tenho medo
que é justamente o que o medo quer)

O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho havemos todos de chegar
quase todos
a ratos
sim, a ratos

Alexandre O'Neill, O Poema pouco original do medo, com translineação do blogger

A LUA TOMA

A lua toma de assalto um rio assim tão de prata que até conchas em desejo se metem às arrecuas do mar para trás, se espantam de tanta luz noctívaga e sem brisa de vento.
E chega o barco de pesca e pensa: hei-de pôr-me à cata das sardinhas que hoje para aqui imigraram ou hei-de apenas fruir o prateado desta noite sem par? E um caracol enroscado no casco lhe sugere: não sejas tonto, toma as duas.

Jaime Vehuel

quarta-feira, dezembro 19, 2007

TERRA... MULHER

imagem e título roubados a www.poeticalente.blogspot.com

ÒPTIMO NATAL


UM QUASE SÚBITO MERGULHO

Um quase súbito mergulho na já familiar taça de fel. Nada resolve esse abismo, nem esbracejar, nem flutuar, é como um fuzilamento entrando sem pedir licença por todas as veias, sem quase haver um neurónio que escape.
Ai, caiu-me o céu em cima sem que as estrelas viessem junto, elas ficaram suspensas algures num inefável infinito e em mim ficou apenas o negro-negro, a absoluta treva.
Não é que as flores murchassem: apenas deixaram de existir.
Ligo o telemóvel. Que pena não estarem lá palavras deixadas por todas essas pessoas com quem não quero falar. Desligo de novo, para recolher ao útero que me é fornecido pelo me manter incontactável.

Jaime Vehuel
Dez2007

domingo, novembro 18, 2007

TENS AMORAS NOS SEIOS

tens
amoras nos seios
ou antes azeitonas
pois que aperitivam
o vinho doce em que
na descida
te hás-de fontear

em ti a broa fresca de
um sustento
que sustento ser
de inegualável alimento
nuvens azuis e densas e suaves
movidas quando ventas

Jaime Vehuel

terça-feira, novembro 13, 2007

HAVERIA UMA BICICLETA

haveria uma bicicleta toda em prata
e nela montada a esperança de
um só dia
todo o tempo condensado num
momento puro de encanto
retirado até o próprio luto da agonia

jaime vehuel

ESPALHAREI TULIPAS

espalharei tulipas no asfalto
para que os viajantes maquinados
já se espantem
e lancem na cidade o grito mudo
de mil gaivotas regressando

jaime vehuel

TENHO CEREJAS

tenho cerejas com coco
peito adentro

que fazer com esta bulimia

jaime vehuel

ATROPELADO PELO VENTO

atropelado pelo vento
teu cabelo ondula e estica
dá-me dele um caracol arejado
para que minh' alma nele se afague
e parta longe sem sair de seu caminho

jaime vehuel

O EREMITA SURTIU

o eremita surtiu de sua toca
e de cajado à mão pisou de novo os rios
seus pés não afundaram todavia
pois que os peixes mil seu passar atapetaram
de acordo com os laços que no segredo da gruta
no silêncio e no orar lá se bordaram

era de noite porém mas o pé franco
trazia noutra mão estrelas de vinho
também com tanto os peixes se animaram
fugindo de deixar o homem sozinho

jaime vehuel

JÁ SE ME OCORREM

já se me ocorrem
nascentes sóis
cadentes luas
e nesse tanto extasiante
corridas de algas
me assaltando o ventre

jaime vehuel

SORVENDO LENTAMENTE

sorvendo lentamente
teu olhar de planta
brumei sorriso meu
de mágoas lavadas

jaime vehuel

domingo, setembro 02, 2007

SER COISA EVIDENTE

Ser uma coisa evidente é ficar reduzido a quase nada.

Teixeira de Pascoaes (1877-1952)
Aforismos

sábado, setembro 01, 2007

SEDE DE MUSGO


Uma mais vez salvei a sede de musgo que minha alma acalenta e o coração outrora esquece.
Assim se me acendeu Inverno adentro a chama verde de um lamento expurgado de saudade, melancólico apenas.
Quando eu for grande serão de linho os fetos que meu corpo regam, suas frágeis folhas distribuindo ventos.


Jaime Vehuel
01.09.07
Imagem: Campo de trigo com corvos, Van Gogh

quarta-feira, agosto 29, 2007

AMO UMA FOLHA VERDE

Amo uma folha verde, uma borboleta azul, um cabelo negro.
Como se ali fosse a pousada de um destino ingrato redimido.
Sorvo do vento que passa o aroma de uma esperança desabrida, como se de repente o musgo se enchesse de um orvalho absoluto.
E sigo fruindo, até ao fim dos horizontes todos que no tempo do hoje desfalecem.

terça-feira, agosto 07, 2007

PÉTALAS


Que ninguém se surpreenda se o dia alvorecer e estiver no ar um cheiro a pétalas caídas num rio em maré-baixa. São saudades? São desejos? São promessas? São beijos.


Jaime Vehuel
imagem: "Adão e Eva", Albrecht Durer

quinta-feira, junho 21, 2007

O MEDO


Ah
o medo vai ter tudo
tudo

(penso no que o medo vai ter e tenho medo
que é justamente o que o medo quer)


O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho havemos todos de
chegar quase todos
a ratos
sim, a ratos


Alexandre O'Neill, O Poema pouco original do medo, com translineação do blogger

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

CANTARAM ATÉ OS LUARES DE JUNHO






cantaram até os luares de Junho
na alvorada de teu corpo amado

teus seios se abriram a meus lábios
em sua doce maternidade menininha

colhi então de teus cabelos
os nenúfares sem fim do hálito das pérolas

com eles em meu peito cheguei nas taprobanas
de minha mente escondida

de lá se soltaram algas, cabelos de novo
agora nossos

elas correram por nós dois adentro
e tu não foste mais minha que eu teu

fomos tão só e tanto o infinito
ali parado por um breve pouco

ai que Deus é também isto
só pode

aqui vida e morte são uma só terceira coisa
nós dois em sinfonia e basta




jaime vehuel
05fev07,lx